Com a Palavra, Os RHs

Atualizado: 24 de Set de 2018

Moderado por Tania Moura, vice-presidente executiva da ABPRH, Rede Ímpar, Grupo CCR e Volkswagen atestam a importância da gestão analítica de dados pelo RH



São Paulo, 13/09/2018 - A discussão do RH como protagonista da gestão de saúde, mote do VI Fórum de Saúde Corporativa e Medicina do Trabalho, promovido pela ABPRH no último dia 13, em São Paulo, deu voz em seu segundo painel a representantes dos departamentos de Recursos Humanos de grandes companhias, como Rede Ímpar, Grupo CCR e Volkswagen, a fim de abordar as boas práticas de negociação e gestão que podem parametrizar os aspectos regulatórios.


Primeiro convidado deste painel, Raphael Tadashi Kaneco, gerente médico da holding formada pelos hospitais 9 de Julho e Santa Paula (SP), São Lucas e Complexo Hospitalar Niterói (RJ), Hospital Brasília e Maternidade Brasília, escolheu falar sobre a importância da organização e do fluxo de informações, apresentando a forma como a empresa trabalha nesse âmbito, fazendo o cruzamento de dados e organizando as informações para realizar uma espécie de “clusterização” dos gastos, para daí então ser feita uma análise das maiores contas, do perfil dos pacientes e da forma de organização de cada unidade, chegando assim a um valor consolidado geral.


“Considerando o perfil epidemiológico, os custos operacionais versus os custos de um pré-pago e a quantidade de erros em fatura, apresentamos à operadora o nosso controle de gestão de risco para termos certo poder de negociação”, explicou provando com dados os resultados positivos alcançados com todos esses processos de data analytics na negociação.


Em seguida foi a vez de o coordenador de Gestão de Pessoas do Grupo CCR, José Antônio Coelho Júnior, mostrar seu estudo de caso, abordando a gestão de saúde como diferencial para negociação de valores. O executivo afirmou que só grandes corporações, com seu poder de compra, podem acelerar a transformação na saúde e que a companhia incentiva os empregadores a assumir a liderança dos esforços para garantir melhor saúde a populações locais e reduzir o custo dos funcionários para as empresas. “Isso é talvez o ponto que mais chama nossa atenção, o engajamento da liderança e do colaborador no processo de conscientização.”


A corporação conta hoje com 13 mil colaboradores espalhados por seis estados do Brasil, somando mais de 30 mil vidas que estão, em sua maioria (88%), no setor de operações, capilarizadas em aeroportos, metrôs e rodovias. Do total da folha de pagamentos da instituição, 7% são destinados à saúde. “Estamos em mais de 200 municípios. Como fazer para que nosso trabalho chegue ao colaborador, para que ele entenda que está sendo assistido, além de gerar o uso racional?”, questionou.


Em sua apresentação, ele explicou que dentro do seu planejamento estratégico a CCR criou um Comitê de Saúde Multidisciplinar, que atua como ferramenta estratégica de gestão nos contratos. “É um trabalho multidisciplinar construtivo, mas que funciona por meio de uma comunicação ampla e assertiva.”

Os eixos, conforme explicou Coelho, são divididos em gestão de pessoas, segurança do trabalho, saúde ocupacional, qualidade de vida, gestão financeira e liderança. Cada um deles atua de forma integrada, com atribuições inerentes aos setores.


Assim como o colega que o presidiu, o executivo abordou como o “people analytics em saúde” é um diferencial na performance de saúde corporativa. A CCR criou mecanismos para que as análises fossem feitas por meio de um sistema que enxerga a gestão como um todo: são acessos parametrizados, em que é possível analisar absenteísmo, banco de horas, gasto de folha, turnover, gestão de afastamento, fator acidentário, gestão de férias, gestão salarial, entre outros. Uma vez tendo dados tão ricos em mãos, a empresa consegue melhores negociações com as operadoras, que hoje são sete.


“Temos uma previsão de economia de R$ 14 milhões em 2018”, afirmou, exemplificando uma média mensal de sinistro de julho até dezembro de 2017 que diminuiu mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.


A gestão de dados de saúde e organização de processos para aprimoramento dos resultados foi abordada de forma ainda mais acentuada pelo supervisor de Benefícios de Saúde e Ergonomia Corporativa da Volkswagen do Brasil, Rodrigo Filus. “Desde 2016 nosso modelo de gestão em plano de saúde busca modernizar os conceitos de saúde para nossos beneficiários, trazendo eficiência”, iniciou. Na empresa a prevenção tem participação importante: a cada três anos ela consegue cobrir todo o efetivo com exames mais completos.


Por meio de acompanhamento e serviço de orientação próprios, a companhia tem conseguido reduzir os dias de hospitalização de seus funcionários. A excelência nessa gestão, segundo explica o dirigente da organização, fica em torno de análises preditivas de dados e melhorias contínuas, o que promove serviços personalizados e decisões antecipadas (o banco criado conta com 200 diferentes indicadores de 59 mil vidas sob sua responsabilidade, que incluem os 15 mil funcionários mais os dependentes) e, com isso, tomadas de decisões mais rápidas e eficientes.


A empresa possui ainda uma equipe médica dedicada que discute os casos críticos de internação com a equipe dos hospitais e os médicos responsáveis pelos pacientes, “sempre respeitando a aceitação do paciente e código de ética médica”, reitera Filus.


O executivo expôs que existe acompanhamento de pacientes crônicos e high users, bem como que casos específicos são analisados e discutidos por equipes médicas especializadas para buscar uma melhor resolução, dando feedback positivo aos beneficiários. “A acolhida é diferenciada, inclusive com a possibilidade de trazer segunda opinião para casos pontuais”, explica. “As pessoas são o pilar fundamental para a Volkswagen, e o bem-estar dos nossos empregados e de seus dependentes é extremamente importante para nós”, finalizou.


Para a moderadora do painel, ficou claro o papel menos assistencialista do RH para um novo modelo de trabalho, com capacidade de análise, poder de negociação e fundamentação. “Esses resultados deixam aqui uma provocação de o que os nossos profissionais têm de fazer para equilibrar o nosso foco em gente, com a preocupação com o custo, que é a grande cobrança dos executivos”, afirma Tania Moura.





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