Design Thinking: como esta metodologia está transformando as pessoas?

Por Marília Cardoso



Muito provavelmente você já ouviu falar em Design Thinking. A metodologia, que está transformando pessoas e empresas, tem atraído cada vez mais interesse. Embora tenha sido popularizada a partir de 2009, com a publicação do bestseller “Change by Design” (em português, Design Thinking – Uma Metodologia Poderosa Para Decretar o Fim das Velhas Ideias), de Tim Brown, fundador da consultoria de inovação IDEO, os conceitos são bem anteriores a isso.


Os entendedores da área de gestão de projetos afirmam que boa parte dos conceitos são baseados nas antigas metodologias japonesas, como o Six Sigma. Há ainda livros das décadas de 40 e 50 disseminando ideias muito similares.


O fato é que a lapidação da metodologia pela IDEO, separada em sete etapas (entendimento, observação, ponto de vista, ideação, prototipagem, teste e iteração) com um formato de duplo diamante, foi o que tornou o Design Thinking mais bem “embalado” e fácil de ser popularizado.


Para mim, o que mais encanta é a oportunidade de descontruir velhas premissas e modelos mentais a fim de construir algo muito mais profundo e verdadeiro. As etapas pressupõem pensamentos divergentes, que buscam a ampliação das ideias e o adiamento de possíveis julgamentos; e os pensamentos convergentes, que procuram as melhores partes dentro de tudo o que foi levantado.


Assim, como num gigante quebra-cabeças, somos muito mais capazes de avaliar as partes e suas interações com o todo. Somos desafiados a fugir das respostas prontas e óbvias, substituindo os achismos pelas perguntas poderosas, capazes de nos fazer enxergar muito além da ponta do iceberg.


Outra premissa importantíssima é o “aprender fazendo”. Antes, pessoas e empresas passavam horas, dias, anos, planejando para só depois começar a agir. Num mundo VUCA, marcado por intensa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, quem não faz, toma. Planejamento e execução devem andar lado a lado, criando experiências e aprendizados simultâneos.


O Design Thinking é ancorado ainda em três conceitos fundamentais: a empatia, a colaboração e a experimentação. A empatia significa se colocar no lugar do outro, despir-se de pressupostos e compreender o contexto e ações do outro, acolher, assimilar e acomodar perspectivas alheias. É o famoso colocar os sapatos dos outros. Mas, para isso, precisamos aprender a tirar os nossos, nos livrando de crenças e pré-conceitos.


A colaboração significa pensar conjuntamente, co-criar em equipes multidisciplinares para que nosso pensamento se multiplique exponencialmente. A diversidade de gêneros, raça, classe social, posicionamento e vivências é o que promove a riqueza de olhares e a ampliação das possibilidades.


Já a experimentação significa sair do campo das ideias, da fala. Construir e testar soluções para evitar problemas futuros, na fase de implementação e lançamento de produtos ou serviços. Trazer o cliente e demais stakeholders para testar junto elimina uma série de problemas que seriam impossíveis de mapear sem a perspectiva de quem está de fora.


Do ponto de vista do RH, o Design Thinking tem sido um aliado poderoso na construção da cultura de inovação. Desafiar o status quo tem sido uma premissa básica das empresas que buscam sucesso em um ambiente de profundas transformações. Ele incentiva as pessoas a pensarem muito além do óbvio, desconstruindo crenças e experimentando o novo.


É por esses e tantos outros motivos que o Design Thinking tem se transformado em um modelo de gestão tão eficaz. Mais do que uma metodologia, ele prega uma nova forma de pensar e de agir. Já entendemos que o mundo está num processo de mudança e que velhos modelos não serão mais suficientes para atingirmos novos objetivos.