DIVERSIDADE E SAÚDE MENTAL

Por Adriano Bandini

Diretor de Inovação do Squad de Diversidade e Inclusão do HUBRH+ Abprh


Em 07 de maio de 2021, o Valor Econômico publicou uma matéria sobre saúde mental. A autora Roseli Loturco compartilhou em seu texto, dados da pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP desde maio de 2020 com 3 mil pessoas de todo o país. A pesquisa identificou que depressão, ansiedade e estresse aumentaram especialmente entre as mulheres. Elas respondem por 40,5% de sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse e ainda, indicou um aumento de 40,8% no consumo de drogas, cigarros, bebidas alcoólicas, medicação e alimentos.

Diante deste contexto é importante refletirmos sobre o tema saúde mental e seu impacto nos diferentes grupos humanos, a partir das características estudadas por diversidade como gênero, raça, deficiência, idade, LGBTQIAP+. Desde março de 2020, muitos veículos de comunicação publicaram algum tipo de informação sobre como a pandemia afeta de formas diferentes, grupos sociais distintos diferentes.

A pandemia não é o gatilho de fatores que causam diferenças nos índices de adoecimento mental nos grupos sociais, mas amplificou alguns dos efeitos das desigualdades que já existiam muito antes da pandemia.

Ao abordar saúde mental pensamos também na ausência dela. O termo está relacionado à forma como uma pessoa reage às exigências, desafios e mudanças da vida e ao modo como harmoniza suas ideias e emoções. Diariamente, vivenciamos uma série de emoções, boas ou ruins, mas que fazem parte da vida. Como lidamos com essas emoções é o que determina como está a qualidade da nossa saúde mental.[1].

Para cada grupo de diversidade uma pergunta pode ser feita: quais os recursos que estão disponíveis para que cada pessoa tenha o devido suporte para lidar com tantas emoções que os cenários somados à pandemia provocam?

O efeito em cadeia pode nos ajudar a pensar em respostas e na forma como cada onda afeta cada grupo. A pandemia começa e as pessoas são orientadas a utilizarem máscaras, lavarem as mãos e manterem o distanciamento social.

Como fica a vida das pessoas que não tiveram acesso a essas informações, não possuem recursos para comprar as máscaras? Não tem água potável nem acesso a material de limpeza em abundância e dividem a moradia com todos os familiares? Nesse recorte, qual característica de diversidade tem mais ou menos recursos para se proteger e diminuir a sensação de insegurança?

Quantas pessoas tem acesso a saúde de qualidade? Quantas pessoas possuem trabalho e renda com condições de manter os protocolos de saúde e ainda, manter a produtividade, o emprego e o faturamento?

Como se equilibraram os papéis de gênero nas famílias com filhos em idade escolar? Que recursos estavam disponíveis para que a rotina doméstica, profissional e escolar fosse conciliada?

Quem acessa os serviços de psicologia, psiquiatria e outros que promovem a saúde mental? Com meses e meses de pandemia, como ficaram os serviços de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, os outros serviços públicos gratuitos que atendem as pessoas com deficiência?

Entre os estudantes, quantos conseguiram cumprir, ainda que à distância, a estimulação educacional? O avanço adequado nos conteúdos obrigatórios que resultarão em maior aprovação em vestibulares para os próximos anos? Qual o peso da situação socioeconômica das famílias na manutenção desses estudantes nas rotinas educacionais de qualidade?

Será que teremos alguns anos de privilegiados que conseguiram acesso à internet e a bons equipamentos como notebook ou celular regularmente por dois anos, como sendo os únicos a ingressarem nas melhores universidades públicas? Se você fosse imaginar as características de Diversidade presente nessa população privilegiada, qual seria a predominância de cor, gênero e deficiência, por exemplo?

A manutenção da saúde mental é responsabilidade de todos nós, pessoas físicas e jurídicas que devem atuar juntas para disponibilizar equidade de oportunidades, incluindo o acesso aos recursos conforme a necessidade de cada um.

Vale cada ação, seja para um ou para milhares. É necessário que cada pessoa perceba que estão nos detalhes, a construção de um país para todos e só quando todos acessarem essas oportunidades, nossa economia e saúde mental refletirão a dignidade e o crescimento que está represado, no potencial inimaginável que temos como nação.

O que você pode fazer para colaborar com a saúde mental em sua empresa?

1 – Fale do tema com seu time, com sua empresa e conheça os benefícios disponíveis para apoiar os colaboradores. Se não existirem benefícios, proponha a criação de alguns.

2 – Avalie em sua empresa se existe impactos diferentes nas ocorrências relacionadas a saúde mental, quando analisados os grupos como gênero, raça, LGBT+ e pessoa com deficiência por exemplo. Se existir monte pelo menos um plano de ação para cada pilar.

3 – Divulgue informações sobre diversas técnicas que podem ser praticadas por todos, como meditação por exemplo, e que poderão apoiar seus colaboradores na criação de bons hábitos.

4 – Mantenha um canal aberto para receber pedidos de ajuda.

[1] Disponível em 10/06/2021 em: https://einstein.br/saudemental