Gestão do Conhecimento – A ponte para a Alta Performance

Atualizado: Jun 25

TUNEL DO TEMPO:

Imagine se você pudesse trocar de lugar com um engenheiro elétrico, um tal de... Jeff Bezos, em meados dos anos 90. A minha pergunta nesse caso é se você, há praticamente três décadas atrás, daria importância para algo chamado: “Gestão do Conhecimento”?

Bem, caro leitor, se você já conhece a história desse empresário americano fundador da “Amazon” (1994) e hoje um dos homens mais ricos do planeta, segundo a revista Forbes, então, com certeza a sua resposta foi um sonoro “SIM”!


E apesar de ter deixado de ser CEO da Amazon em 2021, a história comprova que Jeff Bezos detinha realmente uma visão estratégica (além de seu tempo) ao colocar foco e peso na gestão do conhecimento dentro da Amazon.

Dentre outros fatores de sucesso, Bezos criou uma rede de informações unindo as diversas unidades de negócios da sua empresa, habilitando o acesso a todos os seus gestores. Na verdade, tudo isso fez com que a Amazon socializasse aquilo que aprendia na venda de livros em larga escala com todas as lideranças da organização. Esses conhecimentos compartilhados permitiram tirar proveito competitivo e aplicar as melhores práticas (lições aprendidas) da venda de livros para uma infinidade de outros produtos e serviços, potencializando e escalando a sua comercialização no universo digital, inclusive em mercados de áudio e video (Amazon Prime Video), numa briga de gigantes com a Netflix e outras como Disney+.

Agora, se há trinta anos “Gestão do Conhecimento” já era estrategicamente importante, imagine nos dias atuais de pandemia??? Tempos de crises nos quais temos que lidar com a informação em ambientes “estranhos” de home office, com equipes hibridas e acesso a um mundo digital sentado na cadeira desconfortável da cozinha.

Um mundo digital que já existia, mas era negado por muitos RHs e organizações que preferiam manter ainda o “caderninho” de anotações para registro de intercorrências / problemas / feedbacks, ou que fomentava e criava uma “Excel-lândia” para gerenciar informações, perdendo de fato a possibilidade de transforma-las em conhecimento utilizável dentro da empresa.


Estamos em 2021, e a pergunta que não quer calar é: Você sabe mesmo do que é que estamos falando?


AFINAL, O QUE É GESTÃO DO CONHECIMENTO?

Existem muitos autores, mas creio que um modelo bacana para entender a dimensão do assunto é o desenho estratégico que encontrei no material da própria Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC) que – caso o seu RH não saiba – já completou duas décadas de existência de atuação (2001).

Ou seja, fazendo uma leitura mais direta, mais simples (porém nunca simplória), G.C. (Gestão do Conhecimento) é reter, compartilhar, criar e utilizar o conhecimento existente dentro das organizações para alavancar RESULTADOS.

O problema é que a maioria das empresas usa mal o conhecimento disponível. Como menciona André Saito, presidente atual da SBGC: “Se usassem bem o conhecimento que tem disponível, as empresas estariam muito melhores!!!” – e eu arriscaria acrescentar a essa frase que: se os líderes (dentro e fora do RH) quiserem alcançar, de fato, a famosa alta performance, não há outro caminho.

Assim como a Amazon, poderíamos citar outros exemplos inclusive nacionais de empresas que há muitos anos vem organizando melhor essa história de conhecimento para obter resultados realmente interessantes. Gosto, por exemplo, do “Case” da Embraer. E mais ainda quando o engenheiro José Eduardo Carara Jr. Menciona que a G.C. tem que ser igual o bolinho da vovó, você nem precisa vender a ideia, todo mundo vai atrás porque é BOM... e tem que ter utilidade prática, se não for para resolver problemas das áreas e fazer os processos serem mais rápidos e melhores, então, não serve para muita coisa. (Dica: assista o vídeo: “Gestão do Conhecimento – Entendendo um Pouco Mais” na plataforma da ABPRH: https://youtu.be/zRDTP6fX6UI)


MAS, O QUE O RH TEM A VER COM ISSO?

Quando pensamos no tema ou sistema que envolve a gestão do conhecimento, é importante lembrar que temos basicamente três fatores críticos de sucesso: Pessoas, Processos e Tecnologia.

E os especialistas demonstram com estatísticas de fracassos que o maior erro na implantação da G.C. é começar comprando tecnologia, como se as ferramentas funcionassem sozinhas... É mais do que óbvio que não funcionam, e nunca funcionarão sem a adesão dos profissionais (começando por aqueles que são referências técnicas e de gestão internamente). Nesse ponto, a área de Recursos Humanos tem experiência acumulada e pode ser um grande parceiro de negócios na implementação da gestão do conhecimento, até porque os líderes de RH sabem o quão tortuoso é caminho do engajamento das pessoas dentro das organizações.


Mas, o RH também sabe o valor do conhecimento.


E sabe que se não unirmos esforços continuaremos desperdiçando recursos (muitas vezes de forma invisível, que lamentavelmente não aparece de forma explicita no balancete mensal da empresa, muito menos no seu fluxo de caixa)


Mas, se quisermos alcançar desempenhos superiores e melhorar o posicionamento estratégico / competitivo, até em termos de mercado, temos que fazer algo para transformar o conhecimento tácito (silencioso) que escorrega pelos dedos da organização em conhecimento reutilizável (por outros profissionais, setores, etc...) dentro das empresas, pois, isso nos dá capacidade, competência e velocidade inimagináveis de ação e resultado, no médio e longo prazo. Não à toa, pesquisas internacionais mencionadas no site da FIA-SP, demonstram que Gestão do Conhecimento nas empresas eleva a produtividade em até 40%.

(Dica: se quiser conhecer um pouco mais sobre esse tema, acesse o EBOOK 1 – Pilares da Gestão do Conhecimento – Descomplicando o tema. – Clique no LINK: https://3afa2887-ffcd-4138-94c0-ac2d84e91ab9.filesusr.com/ugd/a712e3_05c292a23173456c9429f1cd842045db.pdf )


Afinal, talvez o grande desafio dessa nova economia da experiência (do cliente, do colaborador, do aprendizado, etc...) seja saber extrair o conhecimento construído e acumulado ao longo de meses, anos, décadas por um profissional da sua equipe antes que ele simplesmente se aposente ou mude de emprego e carregue tudo isso tacitamente dentro dele, sem deixar um legado para quem vai substitui-lo...


Recomeçar eternamente, porque sua empresa não tem gestão do conhecimento, porque não aprende com suas experiências, tem um preço... Geralmente, um preço amargo.


Por isso, vale a pena lembrar sempre a frase célebre de Jeff Bezos:



Se você não for obstinado, você vai desistir de experiências muito cedo.

E se você não for flexível, você vai bater com a cabeça na parede e não vai ver uma solução diferente para um problema que está tentando resolver.



Autores:

· Prof.Fabrizio Rosso: Administrador Hospitalar, Mestre em RH, CEO da FATOR RH e VP do Squad de Gestão do Conhecimento do HUBRH+ Abprh (Contato: fatorrh@fatorrh.com.br)

· Psicóloga Maria de Lourdes Neves: Psicóloga, Mestre em Bioética, especialista em psicologia organizacional e Gestora Estratégica de Pessoas do GRAACC. (Contato: marilunef@yahoo.com.br)




REFERENCIAS:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jeff_Bezos

http://www.sbgc.org.br/

http://www.sbgc.org.br/uploads/6/5/7/6/65766379/e-book_-_o_que_%C3%A9_gc.pdf