Isolamento social aumenta a produtividade e o desequilíbrio emocional

Por Katia Camata, embaixadora do Squad de Marketing


Há pouco mais de um ano fomos obrigados a nos isolarmos por conta da pandemia que está dominando (ainda) boa parte do planeta. O home office, que era um benefício oferecido como diferencial por algumas empresas, tornou-se obrigatório, acabando assim com o ‘charme’ do trabalhar em casa durante um ou dois dias da semana.

Nos transformamos em desbravadores de nossa própria casa criando espaços para que a família toda, para quem mora com ela, pudesse trabalhar, estudar, conversar e manter a rotina do local.

Todavia, o que parecia ser algo negativo e alvo de imensas discussões por conta da cultura brasileira, caiu por terra e segundo dados de pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Emlyon Business School, da França, e a consultoria Grant Thornton Brasil 35,6% dos entrevistados disseram que o trabalho remoto é mais produtivo que o presencial.

Por essa razão, o sofá da sala ou a mesa de jantar converteram-se nos locais mais aconchegantes e transformadores de suas mentes; os notebooks em punho e os ingressar online provocaram descobrimentos de ideias, compartilhamentos de informações, reuniões produtivas e mudanças de processos em tempo recordes.

Produtos foram lançados mais rapidamente com a diminuição burocrática, lojas físicas viraram e-commerces e os consumidores vorazes por conhecimento, 13,5% segundo dados do IBGE, ocasionaram um crescimento diferenciado no segmento de educação ao adquirirem cursos online.

Nem tudo são flores no mundo isolado...

A positividade da proximidade familiar, do tempo que não é investido nos deslocamentos e a diminuição das interrupções e ruídos, comuns nos escritórios, deram lugar a um desequilíbrio emocional fortemente percebido pelos entrevistados da pesquisa da Fundação Dom Cabral.

Irritabilidade, excesso de reuniões, falta de horário de expediente e, em alguns casos, problemas de comunicação foram os itens mais mencionados aos pesquisadores pelos profissionais:

  • 16% tiveram dificuldade de relacionamento e de comunicação;

  • 14% afirmaram problemas de equilíbrio entre suas atividades pessoais e profissionais; e

  • 10% relataram problemas com foco e atenção.

Outros danos observados são o aumento de casos de ansiedade e depressão no momento atual, como mostra estudo “Covid-19 Saúde mental: usando a tecnologia digital para avaliação das consequências da pandemia” realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 80% da população sente-se mais ansiosa, 68% têm sintomas depressivos, 65% expressam sentimentos de raiva, 63% apresentam sintomas somáticos e cerca de 50% relatam alterações no sono.

A constância seria a solução?

Considerando os diversos estudos existentes sobre uma vida equilibrada, talvez possamos afirmar que a solução para tudo isso seja produtividade ao seu tempo, respeito ao seu corpo e proteção e prevenção na disseminação dos males. Contudo, não há fórmula mágica e precisamos avaliar o que nos faz bem e tentar, dentro do possível, criar uma constância.