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O desafio do controle dos custos e do desperdício

Acompanhamento de dados da população e business intelligence são apontados como ferramentas de RH que barram as perdas


São Paulo, 13/09/18 - O VI Fórum de Saúde Corporativa e Medicina do Trabalho, promovido pela ABPRH buscou, entre outros temas, falar sobre a gestão de saúde corporativa como aliada na redução de custos e sustentabilidade do benefício, trazendo, inclusive, outras áreas das empresas para entender e discutir esse gerenciamento.

Moderado por Alberto Ogata, presidente da IAWHP (International Association for Worksite Health Promotion) e diretor de Comunicação e Relacionamento da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida), o terceiro painel do evento trouxe a coordenadora de Benefícios e Relações Trabalhistas da Comgás, Raquel Celestino, para desconstruir a imagem de que o RH “só gasta” e para colocar o nível de chefia do setor financeiro como parte integrante do processo.


Em seu case, Raquel mostrou como a empresa traz à discussão outras áreas internas, que vão mais à frente das equipes de RH/Benefícios e de Saúde Corporativa. “Além das áreas corriqueiras e do departamento financeiro, outros parceiros ou serviços ainda são envolvidos, como as áreas de gestão médica e de auditoria e até mesmo o sindicato”, explicou. Raquel destacou as principais ações realizadas junto a cada uma delas.


Por intermédio do acompanhamento das validações prévias de procedimentos, das solicitações de internação; de procedimentos diagnósticos, terapêuticos e cirúrgicos; e até mesmo do acompanhamento das internações, por meios que vão desde visitas hospitalares até telemonitoramento, ela afirmou que, com essa gestão, a variação de custos médico-hospitalares da empresa caiu de 24,2% em 2016 para apenas 4,4% em 2017: “O índice está bem abaixo da média que obtivemos por meio de benchmark, que foi de 11,3%, e até mesmo da média da nossa operadora, a SulAmérica, que é de 16,97%”, ressaltou.


Na mesma marcha, Marcelo Ruiter, gerente de Remuneração e Gestão Estratégica de Saúde e Benefícios do Grupo Suzano de Papel e Celulose, também apresentou seu case, mostrando como a empresa prioriza ações de gestão de saúde para eliminar o desperdício, e também controlar o tão temido índice que expressa a variação do custo das operadoras de plano de saúde, além de ampliar o atendimento.


Com 6 mil colaboradores, mais de 14 mil vidas e mais de 3 mil aposentados, a Suzano conta com um hospital próprio em Mucuri, na Bahia, com 15 leitos e duas semi-intensivas. Sua atuação em busca de um programa de prevenção robusto nasceu, em 2010, da necessidade de controlar o risco e da preparação do modelo de saúde para o crescimento orgânico da empresa. “Naquele ano tínhamos uma rede de atendimento deficiente e uma evolução dos custos acima da média de mercado”, introduziu Ruiter. Segundo o executivo, havia diferentes fontes de informações, e, embora houvesse alto volume de dados, não existia metodologia de classificação e faltava capacidade de processamento. “Com esse diagnóstico, nossa decisão foi organizar as informações!”


Ruiter contou que a Suzano priorizou as ações por investimento, retorno e prazo, seguindo a premissa de desafiar o padrão de níveis de prevenção e saúde imposto. “Para isso, estabelecemos uma relação de parceria e transparência com as operadoras, escolhemos um parceiro estratégico para ser referência – citando o grupo Sepaco – e miramos no cuidado do indivíduo, com foco no atendimento.


CUSTOS EVITADOS E REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO

Amplamente discutido recentemente, o tema desperdício foi largamente abordado por Vilma Dias, diretora executiva da Qualirede. Citando o Relatório Mundial de Saúde da OMS de 2010 – Financiamento dos Sistemas de Saúde/Relatórios Econômicos da OCDE, ela repetiu a estimativa de que entre 20 e 40% dos recursos gastos em saúde são desperdiçados. “Cada 1% de desperdício custa R$ 1,35 bi ao ano”, disse. “Se chegarmos a 20%, R$ 27 bi ao ano!”


Ela mencionou a superindicação de exames como um dos maiores motivos de dilapidação: “São R$ 2 bilhões ao ano só no excesso da ressonância magnética – segundo cálculo efetuado a partir do relatório da ANS pela Qualirede – e R$ 600 milhões só no excesso de tomografias”. A executiva referiu ainda o desperdício na utilização de medicamentos: “Cerca de 55% das prescrições de antibióticos seriam cientificamente desnecessárias”, afirmou.


Sua lista de considerações acerca do sistema atual seguiu abordando os desperdícios no dia a dia da assistência. “No Brasil, 58% dos hospitais têm menos de 50 leitos e 80% têm menos de 100 leitos, com uma taxa de ocupação média de 72,71%. Estudos no Reino Unido e nos Estados Unidos indicam que as ineficiências começam exatamente na faixa abaixo das 200 leitos e ocupação menor que 80%”, disse. A falta de segurança do paciente também foi abordada como item de desperdício, devido ao número de eventos adversos.


Para ela, o RH pode participar do controle dos custos com o plano de saúde a partir de uma atuação com diálogos em cima desses fatos e dados, fazendo exigências nas contratações e parcerias efetivas, respaldadas em contratos.


O desafio de identificar a demanda da corporação quanto a estratégias e entregas pela Saúde Corporativa encerrou um dos painéis mais debatidos do evento. Guilherme Murta, coordenador de Saúde Corporativa do Grupo Marista, fechou a sessão de debates explicando aos presentes como medir resultados além do ROI.


“Foi um tema muito oportuno”, constatou o moderador, Alberto Ogata. Para ele, ficou clara nesse painel, e no evento como um todo, a demonstração de que cada vez mais as empresas devem enxergar a questão da saúde além da geração de risco, como uma oportunidade de melhorar o capital humano. “Hoje, muitos investidores no mundo – vi isso em discussões que tive com o Banco Mundial – estão tratando desse tema, olhando o capital humano e a gestão da saúde corporativa não apenas do ponto de vista de custo”, afirmou. “Discute-se como é que tornamos as pessoas que trabalham em nossas empresas mais saudáveis, mais comprometidas e mais envolvidas. Se estamos na empresa, não temos só de pensar no hospital, não podemos pensar só no laboratório e só no custo e como a gente faz a conta fechar para mostrar para os nossos CEOs no fim do mês.”