O desafio na retenção de talentos

Por: Wilson Zacardi Macena Junior – Squad Compliance e Boas Práticas


Pode-se dizer que a retenção de talentos é uma constante preocupação e fica entre as prioridades da maioria das empresas em todos os segmentos. Esse olhar deve ser constante, caso contrário, a empresa pode estar fadada ao fracasso.


E qual o papel da área de Recursos Humanos em todo esse processo?

A área de Recursos Humanos é um dos grandes protagonistas para esse trabalho. Hoje estamos vivendo um cenário sem precedentes (COVID 19), onde todas as empresas precisaram criar a cultura da “reinvenção”. Essa nova realidade nos trouxe ganhos e perdas significativas.


Os ganhos estão relacionados ao maior leque de contratação fora dos grandes centros, assim, descobrimos talentos fora dos principais eixos, porém, também temos outra realidade, que é a impessoalidade em função do distanciamento físico. Aquele cafezinho que ajudava resolver um problema pontual ou o almoço/bate papo para criar um relacionamento, nessa nova realidade, não é mais possível.


Para tanto e mais do que nunca, os profissionais que contratamos devem se identificar com a missão, visão e valores das organizações. Porém, isso não é o bastante. Ainda existem diversos fatores que devem ser levados em consideração como: modelo de trabalho, projeção de carreira, vestir a camisa, sentimento de pertencimento, ambiente onde ocorra a troca de conhecimento, sucessão, rotação de projetos, visão multidisciplinar, feedback, remuneração, benefícios, localização geográfica, cuidados com familiares, entre outros.

A área de Recursos Humanos é a parte estratégica para o sucesso do negócio, pois necessita criar toda a estrutura de suporte para que todo esse processo aconteça da forma correta, pois só assim gera valor para as pessoas e para o negócio. Enganam-se as empresas que acham que um aumento salarial é o suficiente para reter um bom funcionário. Isso pode até funcionar por pouco tempo, porém, devem-se analisar os fatores que estão por trás dessa decisão, pois só com esse olhar é que podemos compreender os fatores primários e secundários dessa decisão da saída da empresa.

São diversos fatores que devem ser analisados para reter um funcionário. Ele precisa sentir e reconhecer que faz a diferença para o negócio, como também precisará ter uma boa estrutura nos bastidores para que isso aconteça, pois trabalhamos com diversas gerações (Baby Boomers, X, Y, Z) e cada uma delas possuem suas particularidades e necessidades.

Para as empresas, o turnover tem um grande impacto, pois não só perdemos em valores, e sim, a perda do capital intelectual que vai além da saída de cada funcionário. Precisamos mais do que nunca trabalhar com o protagonismo individual, onde o grande detentor da carreira é o próprio profissional.

Contudo, trabalhamos com um organismo vivo e mutável que deve ser analisado em todos os momentos e, para cada momento ou situação, temos que pensar e realizar um tipo de estratégia. Engana-se quem pensa que o modelo que funcionava antes continuará funcionando sempre.

O RH não só precisa ser criativo, como também ter ao seu lado o corpo diretivo vestindo a mesma camisa e entendendo que o grande diferencial das empresas são as PESSOAS, por isso alguns temas são relevantes e devem ter um olhar muito especial, tais como:

  • criar um clima organizacional favorável

  • fazer uma comunicação clara e assertiva

  • ter uma gestão mais transparente e de portas abertas

  • desenvolver a cultura do feedforward

  • criar planos de benefícios mais flexíveis que façam sentido ao funcionário

  • ter um olhar para qualidade de vida no trabalho

  • possuir regras para o atual momento de trabalho (work from home)

  • criar modelos de trabalhos híbridos

  • ter um plano de carreira com movimentação para curto, médio e longo prazo

  • criar ambiente onde as pessoas possam ser desenvolvidas e desafiadas

  • ter um olhar para saúde emocional do funcionário e seus familiares

  • tratar as pessoas como um ser único que possui necessidades

  • criar cultura colaborativa

  • aplicar pesquisas para entender o que faz sentido para seus funcionários

Como você pode perceber, reter pessoas é um desafio diário que precisa estar entre as prioridades das organizações, onde cada uma deve olhar para sua realidade e começar com ações que fazem sentido para o seu momento dentro de suas limitações.

Fato é que o funcionário que se sente como foco da organização, tem maior propensão de permanência, pois consegue enxergar o valor agregado das ações e não somente a remuneração, por isso o cuidar do indivíduo precisa ir além do trivial, pois o trivial e situações convencionadas e asseguradas por lei são obrigações já existentes.

Entenda o seu público, suas necessidades e as coisas que fazem sentido e as que motivam, só assim você terá sucesso na criação do produto certo para seu público.