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Painel aborda relação entre saúde suplementar e empregadores

Atualizado: 24 de Set de 2018

Impacto dos planos de saúde nas folhas de pagamento das empresas em foco no primeiro painel do Fórum de Saúde & Medicina Corporativa


São Paulo, 13/09/18 - Como ampliar a participação dos empregadores no debate regulatório foi o tema do primeiro painel do Fórum de Saúde & Medicina Corporativa, evento promovido pela ABPRH (Associação Brasileira dos Profissionais de Recursos Humanos), antiga AAPSA (Associação Paulista de Recursos Humanos e de Gestores de Pessoas), que aconteceu no próximo dia 13 de setembro, no Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.


Moderado pela presidente da entidade anfitriã, Milva Pagano, o assunto abordado foi a participação dos empregadores no debate regulatório. Na introdução, Milva contou aos presentes que sua ida para a ABPRH deu-se exatamente pelo tema saúde, por ser sua especialidade na advocacia. “Foi quando eu criei o GT de Saúde Corporativa, e começamos a primeira edição deste fórum, em um debate que trazia cases, que trazia as dores do mercado e as dores de cada player, porém, ninguém queria assumir para si as responsabilidade de mudar o cenário, que parecia difícil”, disse. “Bem diferente da forma como os players estão assumindo suas responsabilidades e protagonismos agora.


Na sequência, o diretor-adjunto de Desenvolvimento Sensorial da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Daniel Pereira, palestrou sobre os impactos dos planos de saúde nas empresas privadas e o protagonismo desses beneficiários dentro do setor, destacando ainda a missão da agência em engajar os empregadores.


Para o especialista, é característica do setor de saúde suplementar brasileiro apoiar-se em uma cultura de sistemas voltados para operação: cobrar e pagar. Nessa questão da contextualização da saúde suplementar, ele destacou o aspecto assistencial como um dos maiores desafios do setor: “O aumento dos gastos em saúde decorre, além de outros fatores como incorporação de tecnologias e modelo de gestão e negócio do setor, principalmente do envelhecimento populacional, que por sua vez incrementa a prevalência das doenças crônicas não transmissíveis, comprometendo a sustentabilidade do setor”.


Em seguida, ele destacou o aspecto estrutural desses desafios: “A fragmentação e desorganização do cuidado causam desperdício, em razão das redundâncias e sobreutilizações, o que também compromete a sustentabilidade. Nesse âmbito, Pereira elencou a receita de contraprestações e despesa assistencial das operadoras médico-hospitalares, que apresentaram uma curva ascendente, passando de R$ 50,8 bi (contraprestação) e R$ 40,9 bi (despesa assistencial) para R$ 176 bi e R$ 149,1 bi, respectivamente, entre 2007 e 2017. Em compensação, ele apresentou o histórico de reajuste por variação de custo para pessoa física dos últimos 18 anos, que apresenta queda em 2017 e 2018.


O número de beneficiários de planos privados de assistência à saúde nos últimos 18 anos, segundo ele, após uma curva ascendente até 2015, começou a cair, quando recortados os planos de assistência médica com ou sem atendimento odontológico. Já os planos exclusivamente odontológicos continuam em alta.


Ainda dando o panorama da saúde suplementar e dos empregadores, afirmou que quase 67% das contratações de planos privados de assistência à saúde se dão por meio do tipo coletivo empresarial (66,74%), seguido por coletivo por adesão (13,62%) e individual ou familiar (19,31%). “O peso dos empregadores na saúde suplementar é de 31.367.800 beneficiários e são R$ 117.462.400.000 pagos em contraprestações pecuniárias”, disse.


Impacto dos planos de saúde nas folhas de pagamento das empresas


Segundo a pesquisa de benefícios AON 2016/2017, o valor investido em nesse âmbito compromete 15% da folha de pagamento das companhias. Pereira afirma que a agência vem discutindo aprimoramentos dos instrumentos regulatórios que envolvem os empregadores, citando a realização do evento “Ouvindo os contratantes: como os grandes consumidores de planos de saúde podem participar das decisões regulatórias”, promovido pela ANS no último dia 30 de agosto, que buscou esclarecer regras relacionadas aos planos empresariais e por adesão, além de dar espaço para que os contratantes apresentassem suas demandas, dúvidas ou sugestões acerca do tema.


“O foco da agência é trazer o conhecimento para os contratantes nesse debate, e pretendemos fazer um segundo evento aqui em São Paulo, além de outros encontros regionais”, afirmou Pereira.


A presidente da ABPRH salientou ainda a participação da entidade nessas discussões: “As empresas contratantes dos serviços de saúde são a mola propulsora deste mercado, e o RH tem papel fundamental na adequada contratação e implantação destes serviços, bem como na gestão da saúde dos colaboradores”, disse. “Por esta razão, a ABPRH apoiará a ANS na realização destes eventos.”


Como exemplo de outras ações, podem-se listar ainda as melhorias na divulgação de informações aos contratantes no site da ANS, o aumento da transparência das informações entre operadora e contratantes (PIN-SS e Extrato de Reajuste), bem como o aprimoramento dos instrumentos regulatórios de formas legais e éticas de contenção da sinistralidade, por meio de mecanismos assistenciais e financeiros de regulação, modelos de remuneração, Promoprev, etc. Quando indagado sobre o que os empregadores podem fazer, ele foi categórico: “Empregadores devem ser agentes de mudança do atual sistema de saúde suplementar”, afirmou Pereira.


Continuando o painel, o gerente de saúde ocupacional da Pirelli e membro do Grupo Técnico de Saúde Corporativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Alexandre Toscano, falou sobre o contexto e a gestão da saúde suplementar para a indústria.


Na segunda palestra, Toscano falou sobre o contexto e a gestão da saúde suplementar para a indústria. Ele iniciou sua apresentação tratando da importância do contratante para o sistema de saúde privado. “O aumento do custo em saúde no Brasil é de 17%, maior que a média da América Latina (11,5%) e da América do Norte (8,6%)”, disse, ressaltando que o aumento do custo em saúde não tem gerado mais saúde.


Assim como seu companheiro de painel, ele abordou o cenário da saúde suplementar, afirmando que planos de saúde aumentam, na média histórica, três vezes mais que a inflação (19,17% para os planos de saúde contra 6,97% para a inflação) e que a indústria é a principal contratante, com 29,6% dos beneficiários, número que representa 11 mil pessoas, com uma abrangência de 12% da folha de pagamento. “A situação atual é crítica e ameaça a manutenção do benefício de saúde suplementar aos trabalhadores pelas empresas contratantes”, salientou.


Toscano explicou como funciona o GTSS (Grupo de Trabalho da Indústria sobre Saúde Suplementar), um grupo permanente de discussão e proposição para assuntos relacionados a esse tema, bem como seus impactos nos planos empresariais coletivos. É composto, até o momento, por 44 indústrias – com mais de 1,5 milhão de vidas, contratantes de planos de saúde – e pela CNI. O grupo tem o intuito de contribuir para a manutenção do benefício da saúde suplementar aos trabalhadores da indústria e seus dependentes, a partir de melhoria da gestão da saúde baseada em valor e da gestão dos custos da saúde.


A presidente da ABPRH reafirmou o quanto é importante a discussão sobre saúde suplementar e propôs maior participação da Associação nessa questão: “Existe uma necessidade muito grande de mobilização, de criação de grupos de trabalho e eu gostaria de estender essa conversa para além deste fórum, para uma aproximação com o grupo de saúde suplementar para unirmos esforços”, ressaltou Milva.


O representante da Pirelli trouxe ainda os aspectos que a indústria utiliza para implementar a saúde suplementar. Ele dividiu esse procedimento em seis etapas, começando com a Gestão de Tecnologias de Saúde, que é o processo de assistência à saúde de maneira holística. A segunda etapa é a Base de Dados, que tem como intuito a melhoria do canal de comunicação entre a operadora, a empresa contratante e o paciente. A terceira é a Remuneração Baseada em Valor, uma forma de começar a centrar realmente o usuário final na rotina de um desfecho melhor para sua saúde, ou seja, tentar dar ao colaborador o melhor para obter resultados melhores. O quarto aspecto, segundo ele, é a Atenção Primária à Saúde, que tanto no setor público quanto no privado é muito importante, porém pouco valorizada. No quinto item está a Regulação de Contrato: a discussão de coparticipação e franquias; por último, a Negociação Coletiva entre operadoras e prestadores.


Ao finalizar a palestra, Toscano ressaltou a importância de falar sobre o assunto com todos os players. “As indústrias, de fato, estão começando agora a se organizar e querer respostas, isso é o mais importante e acho que o grande passo agora é trazer todos para a mesma mesa e começar a discutir cada vez mais como mudar este modelo”, afirmou. “Não dá para ficar do jeito que está.”