Será que estamos caminhando para um RH cada vez mais estratégico?

Por Tania Machado

Por muito tempo, a área de recursos humanos foi vista apenas como operacional e burocrática dentro da empresa, trabalhando com questões como recrutamento, desligamento e a gestão de benefícios. No entanto, essa visão é cada vez mais distante. Hoje, o RH estratégico é crucial ao negócio. Passando não só influenciar e agir em todo o ciclo de vida dos colaboradores em uma organização, como também participando de outras decisões importantes de business. Dessa forma, reter talentos, propagar a cultura organizacional e criar um employer branding tornam-se funções também indispensáveis na rotina desses profissionais.

Em geral, o RH estratégico é o que enxerga os profissionais de maneira estratégica, utiliza dados reais para tomar decisões acertadas e melhora seus processos com tecnologia de ponta. Esse RH não tem apenas uma posição de suporte à liderança, mas é visto como crucial para o crescimento, rentabilidade e sucesso. E isso tem sido muito mais perceptível no atual cenário em que vivemos. Como as organizações teriam suportado tudo isso sem o apoio de um RH com viés mais estratégico e uma visão mais 360º do negócio?

Inclusive para refletirmos a respeito. Tamanha importância dessa área pode ser comprovada quando vemos, por exemplo, na 24a edição do CEO Survey, divulgado em março pela PWC e que traz as expectativas dos CEO com relação ao mundo pós-pandemia, o aspecto pessoas em foco quando o tema é aumento de produtividade. Quando o assunto são as mudanças previstas na estratégia para a força de trabalho para causar maior impacto na competitividade da empresa, 45% dos CEOs apostam na automação e na tecnologia para impulsionar a produtividade. No entanto, outras questões mais diretamente ligadas a pessoas são também apontadas.

Para 33% o foco deve estar nas competências e na adaptabilidade dos profissionais; 31% na cultura e em comportamentos no ambiente de trabalho; 28% em engajamento e comunicação com a força de trabalho e 25% na saúde e no bem-estar da força de trabalho. Aliás, esse ponto nunca foi tão discutido entre as empresas, que até então, para dizer o português bem claro, pouco ligavam para isso. A saúde corporativa diante desse cenário ganhou ares notórios. Isso porque esta pandemia agravou outra pandemia que a sociedade já enfrenta há 30 anos, mas que vinha sendo silenciada por conta da estigmatização: a da saúde mental.

Uma pesquisa recente feita pela Fundação Dom Cabral (FDC) e o Talenses Group, obtida com exclusividade pelo Valor, indica que a pandemia prejudicou a saúde mental de 73,8% dos 573 profissionais entrevistados. Do total, 40% ocupam posições gerenciais e 20,5% são diretores, VPs, C-Level ou conselheiro. Entre as mulheres (que são 45% dos entrevistados), a pandemia prejudicou mentalmente 80,92% delas. O indicador também foi alto entre os mais jovens. Na geração Z (nascidos a partir de 1991), 80,65% disseram ter sido afetados.

E para apoiar tudo isso, temos os dados. E cerca de 17% dos entrevistados no Brasil disseram que pretendem ter um olhar mais analítico para a sua força de trabalho e usar abusar do poder dos dados. Esse percentual fica acima, inclusive da média global, 11% dos CEOs fizeram referência aos dados. E, aliás o People Analytics, é uma tendência apontada para os próximos anos por permitir otimizar os resultados do RH, ajudando na tomada decisão e otimização de processos. Totalmente alinhado ao papel estratégico.

Outros pontos também importantes, embora apontados por um menor percentual, foram foco na diversidade e inclusão (14%); formação de líderes de futuro (13%); salários e benefícios que oferecem a mão de obra (13% ).

Em suma, arquitetar e manter um RH estratégico deve ser prioridade dentro de toda empresa, afinal, o setor assume papel de protagonista e pode aumentar a competitividade do negócio. Sem um bom RH, por outro lado, erros e problemas serão mais recorrentes. Acredito que finalmente estamos no caminho certo.

E você o que acha a respeito?


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