Tecnologias aliadas do RH para a gestão de saúde corporativa

Telemedicina para colaboradores, análises preditivas e futuro em pauta


São Paulo, 13/09/2018 - O VI Fórum de Saúde Corporativa e Medicina do Trabalho, promovido pela ABPRH, não poderia ter deixado para trás o tema tecnologia. A forma como ela é aliada na gestão de saúde corporativa foi discutida por Miriam Branco da Cunha, diretora-executiva de Recursos Humanos do Hospital Albert Einstein; Debora Yumi Lopes Dias Fukino, médica do trabalho da Gerdau; e Guilherme Salgado, fundador e CEO da 3778 Healthcare Next Move. Moderado por Andreia Nunes, head de RH da Unimed Natal, o quinto painel do dia tratou da telemedicina no atendimento aos colaboradores, passando pelos riscos e benefícios da inteligência artificial a serviço da saúde, e trouxe exemplos de uso de plataformas inteligentes de gerenciamento de saúde populacional.


Ao falar de telemedicina, Mirian, do Hospital Albert Einstein, fez breve menção ao modo como a medicina vem mudando por meio do acesso à informação e à tecnologia. O “novo paciente”, segundo ela, quer mais, melhor e agora.


Isso inclui o uso de mensagens instantâneas. Ela citou o fato de o Brasil ser o campeão no uso desse tipo de aplicativo, afirmando que muitos médicos usam a ferramenta para conversar com seus pacientes. Nesse ponto, citou a pesquisa Accenture 2016 Consumer Survey on Patient Engagement, que mostra nosso país como campeão no número de usuários que discutiram ou compartilharam dados com seus médicos (84%). A média global é 40%.


A telemedicina, que visa prestar assistência a outros centros de saúde, de ensino e pesquisa, e empresas, com atendimento a distância, tem auxiliado profissionais de diferentes regiões do país a definir diagnósticos e estratégias de tratamento aos pacientes. Se desde 2012 o Einstein oferece atendimento remoto que auxilia profissionais da saúde no diagnóstico e na condução de protocolos de tratamento, somente em outubro de 2016 o projeto do Ambulatório Virtual para colaboradores passou a funcionar na unidade da Faria Lima, que é administrativa.


“Fizemos esse piloto para atender a coisas simples, como dor de cabeça, febre, tosse”, explicou. A pessoa entra na sala de conferências (restrita aos 800 colaboradores) e tem ali um lugar para sentar e ligar para o seu médico. Miriam conta que a apuração dos resultados desse trabalho foi de que 77,5% dos funcionários retornaram ao seu trabalho depois dessa consulta, 12% dos atendidos foram para repouso domiciliar e 10% foram encaminhados ao pronto atendimento.


Com base na resolução de 90% dos casos, e do alto índice de satisfação dos usuários, o projeto entrou na segunda fase, em dezembro de 2016, com ampliação do número de salas para outras unidades e atendimento a mais de 12 mil colaboradores. “Na fase três nós criamos uma multiplataforma de atendimento com computadores, smartphones e tablets, não mais restrita apenas a essas salas das unidades, mas com acesso de qualquer lugar, para os nossos colaboradores e seus dependentes, o que alcança cerca de 26 mil vidas”, comemorou. De junho de 2017 a junho de 2018 foram 938 colaboradores/pacientes atendidos; destes, 91% foram liberados. Dos casos, 72% tratava-se de queixa aguda simples.


Desde janeiro de 2018 o projeto do uso de telemedicina para os colaboradores entrou em sua fase 4, estendida de forma customizada para clientes corporativos do hospital. Dell, Google, Unimed, Petrobras, Vale, Escola Morumbi são alguns dos clientes. O acesso é feito diretamente pelo link da Telemedicina Einstein, por meio de QR code e aplicativo. Com tempo médio de espera para atendimento de 10 minutos, as consultas são registradas em prontuário eletrônico e a prescrição de medicamentos é eletrônica e certificada.


Segundo a representante do hospital, o desafio maior é a legislação de saúde no Brasil: é vedado ao médico fazer exames sem estar diretamente ligado ao paciente, e os modos da telemedicina também são discutidos. O atendimento médico a distância, nos moldes da telemedicina ou de outro método, dá-se sob a regulamentação do Conselho Federal de Medicina.


Salgado, da 3778, abordou o tema inteligência artificial explicando um pouco sobre o conceito. “A IA é uma ferramenta, um modelo computacional que simula uma tarefa intelectual”, iniciou. Em sua apresentação, o especialista buscou indicar qual é o papel do gestor, do profissional de saúde, do profissional de gestão de pessoas em relação a essa nova tecnologia.


Recortando para a saúde, ele apresentou cases de utilização de inteligência artificial e de como ela atua no suporte à decisão médica, exemplificando com seu uso no diagnóstico de câncer de pulmão em um hospital australiano e na triagem de melanomas no Canadá. “Foi percebida uma acurácia 50% maior no diagnóstico de câncer de pulmão no primeiro exemplo e 91% maior no segundo”, disse.


Antes dele, Debora, da Gerdau, já havia mostrado um exemplo do uso de plataforma de gerenciamento de saúde populacional, explicando a elegibilidade de informações para auxiliar ações em saúde. “O propósito da Gerdau é empoderar pessoas que constroem o futuro. Dessa forma, a empresa tem sua atenção centrada nos indivíduos.” Em sua apresentação, ela mostrou o software médico feito sob medida para a companhia, que conversa tanto com a saúde quanto com o RH, o meio ambiente, os agentes ocupacionais e os serviços de cadastro, tudo interagindo com o SST e o eSocial. “Queremos explorar a doença e o que a experiência da doença trouxe para a pessoa e, além disso, analisar a pessoa como um todo”, explicou. “Precisamos entender a genética e a epigenética, o que as pessoas vivem, o que elas passam até chegar ao trabalho, para aí sim elaborar um plano conjunto de manejo de problemas.”


Os resultados da Gerdau mostraram, por exemplo, que 68% da população da empresa apresenta sobrepeso, mas os colaboradores acreditam que se alimentam bem. Esses dados, segundo Debora, refletem financeiramente na companhia. “Nós não estamos só falando de custo de sinistralidade, estamos falando de imposto e tributo mensal baseado na massa salarial”, comentou, ao apresentar um estudo de caso, em que o nível de RAT que seria de 3% ficou em 0,5% porque há mais de seis anos a empresa não tem acidentes de trabalho nem afastamentos.


Encerrando a discussão, a moderadora Andreia Nunes afirmou que entendeu que o atual uso dos novos modelos tecnológicos – absolutamente inevitável – aos poucos vai ganhando a confiança dos usuários. “Acho importante usarmos essa tecnologia a nosso favor e acredito muito nessa nova era de mudanças”, finalizou.



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