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Time de conselheiros experientes debate sobre os desafios do setor

Painel foi realizado durante VIII Fórum de CEOs para tratar das dificuldades de orientar decisões em um mundo V.U.C.A.


O primeiro painel do VIII Fórum de CEOs, evento realizado pela abprh na terça-feira, 23 de outubro, em São Paulo, recebeu cinco experientes conselheiros para tratar do tema “A visão do conselho – Os desafios de orientar decisões em um mundo V.U.C.A.”.


Mediado por Leila Abraham Loria, conselheira certificada IBGC – Governança Corporativa, o encontro também contou com Juarez Leão, membro do conselho de administração de marcas como Karsten, Casa do Construtor, Recco e Uatt; Antonio Gueter, diretor presidente e membro do conselho de administração da Copel Distribuição; Fernando Mesquita, membro do conselho de administração do grupo O Estado de S. Paulo; e Roberto Dagnoni, membro dos conselhos da BR Insurance e Fundação CERTI, e do comitê de inovação da Senior Solution.


“Este tema é desafiador e extremamente atual. Os conselhos estão procurando se reinventar para poder contribuir com o ambiente V.U.C.A. das empresas. É importante construirmos esse novo momento”, comentou Leila reforçando que governança não diz respeito apenas ao conselho, mas sim à toda a gestão empresarial. “É por meio dessa integração, evolução e aprendizado contínuo que obteremos mais sucesso”, disse.


Para ela, que recentemente esteve no Vale do Silício, nos EUA, observando a atuação de algumas das empresas mais relevantes do mundo, a proximidade é fundamental. “Antes, no IBGC, acreditávamos ser necessário uma distância entre o conselho e a gestão, mas o que vimos em território norte-americano é uma maior aproximação para que os conselheiros possam realmente contribuir com a estratégia da empresa”, pontuou.


Falando sobre a evolução empresarial do último século, Leão apresentou uma pesquisa da Standard & Poor’s que relata que em 1920 as empresas atingiam, em média, 67 anos de vida. Em 2010 essa longevidade caiu para 15 anos e a expectativa é que, em 2020, caia para 12 anos. “E dessas empresas que teremos em 2020, apenas 25% serão as que já existem hoje em dia. 75% delas serão marcas novas”, comentou.


Assim como Guilherme Soarez, que também palestrou nesta edição do fórum (confira matéria sobre sua apresentação AQUI ), Leão falou sobre a queda do custo da aquisição da tecnologia, apresentando comparativos entre o custo de funcionalidades no início dos anos 2000 e hoje em dia, quando nos aproximamos do final da segunda década do século. “O ritmo das inovações está acelerando radicalmente e a cada dez anos a quantidade de coisas que acontecem vem crescendo”.


Pensando em como esse desenvolvimento impacta o mundo restrito dos conselheiros administrativos, Leão diz que o mercado já acreditou que o ideal era que o conselheiro fosse especialista. Depois essa visão mudou e apostavam nos generalistas. Mas o cenário mudou mais uma vez e o conselheiro tem que ser multiespecialista, “tem que conhecer muito de muita coisa e sempre com profundidade”.


E esse desenvolvimento só se faz possível em corporações que estão abertas a inovar em todos os aspectos. Com dados de uma pesquisa da CB Insight que afirma que 85% das empresas consideram a inovação muito importante, Dagnoni falou sobre essa percepção corporativa incentivando que os participantes questionassem, dentro de seus ambientes de trabalho, quais profissionais acreditam no poder da inovação. Assim, será possível identificar os membros mais estratégicos do time.


“O modelo que defendo é um modelo de voluntariado, os programas de inovação devem buscar quem são os interessados em inovar, criando ferramentas para que eles possam aprender e transformar”, disse Dagnoni apontando que existem departamentos anti-inovação e que, infelizmente, a área de recursos humanos muitas vezes é um deles assim como o departamento jurídico. “Inovação é mais arte do que ciência e você tem que achar aquilo que cabe na sua cultura, no seu orçamento e na sua equipe. Temos que nos movimentar mais, pois é sempre melhor fazer do que não fazer”, pontuou declarando que muitas vezes as empresas pensam demais no que pode dar errado.


Falando sobre transformação – Ninguém melhor do que Fernando Mesquita, que integra a quarta geração do grupo O Estado de S. Paulo, para falar sobre o poder da transformação mercadológica. Ele, que vivenciou as inúmeras mudanças de perspectiva que foram necessárias para que o grupo se mantivesse fortalecido após a inundação dos meios eletrônicos, acredita que a evolução tecnológica está gerando mudanças de hábitos e costumes na sociedade, o que reflete em necessidade de mudanças nos produtos e serviços e na ruptura dos modelos de negócios. “Isso é o mundo V.U.C.A.”, disse.


Reforçando que o propósito do grupo permanece o mesmo – contribuir para a construção de um Brasil melhor – Mesquita cita o atual momento de declínio da mídia. “Vivemos no dia a dia essa questão do declínio do nosso setor, principalmente do impresso, e temos os desafios de superá-lo. Para isso, cada profissional tem que mudar e entender a sua própria realidade para ajudar a transformar a organização”, afirmou lembrando que o papel do CEO, neste caso, é transformar as ameaças em oportunidades.


Enfatizando que mudar o processo é fundamental para permanecer relevante, Mesquita aponta como principais desafios dessa geração: a escolha das pessoas, o ajuste da cultura, a construção do novo sem destruir o legado, reter e atrair talentos, entender e trabalhar em um ecossistema aberto, identificar oportunidades antes dos concorrentes, e viabilizar as novas ideias. “O mundo de hoje é muito mais aberto e se o Estadão conseguia, no passado, navegar de maneira mais fechada, hoje precisa se abrir. Inclusive internamente”, finalizou.


Regulação mediante transformação – O setor de energia elétrica, além de ser um dos mais regulados do país, é um setor que está passando por uma transformação impactante, como mencionado por Gueter, que apresentou sua experiência dentro da Copel Distribuição. Para ele é preciso que todos os players envolvidos acompanhem essa transformação.


“É muito importante que haja um desenvolvimento das pessoas no mesmo ritmo do desenvolvimento da inovação. Que é justamente o que não ocorre no âmbito da regulação”, declarou ele que afirma que hoje o setor incorporou assuntos que antes não integravam suas agendas como, por exemplo, tratar de veículos elétricos, iluminação e segurança pública, e construção de cidades inteligentes.


Totalmente dependente do planejamento – estamos analisando, hoje, a energia que será consumida daqui a uma década –, o segmento de energia no Brasil entende que a inovação traz ganhos de produtividade, mas ao mesmo tempo altera os modelos operacionais. E a adaptação a esses novos modelos é o que comandará o sucesso.